30 de outubro de 2006

DO OUTRO LADO DO ESPELHO


No princípio era Alice
e no fim era Alice e

no meio era Alice.

Alice lábil, bonitinha, rápida
como uma parvoíce

de Alice


Alexandre O'Neill


29 de outubro de 2006

FARMÁCIA DE SERVIÇO

A p... da gripe voltou a atacar-me. Trouxe a tosse com ela, a ver se me dobrava, e ainda tocou a trombeta do nariz entupido. Debilitado e farto de enfiar mel com aguardente goela abaixo, lá fui à farmácia. Ia pelos Ben-uron (1 euro e não sei quê).

Acontece que o merceeiro de serviço achou pouco.
"Oh... isso não é o mais indicado. Baixa-lhe a febre e tal". E eu estúpido: "Então o que é que acha que...?"
E já o "Cêgripe" (4 euros e tal) em cima da mesa. "E queria tb o medicamento para desentupir, n era...?", a nova maravilha fez a sua aparição. Uma coisa da Vick que faz correr o ranho cara abaixo como se fôssemos Julietas tristes. "Ah... e o xaropezinho para a tosse... não é?"
Mais duas larachas ensaiadas e lá estou à porta, saquinho branco cheio de porcarias na mão e um farmacêutico satisfeito do outro lado. Venha o próximo.
Percebe-se melhor o Sócrates nessas alturas.

ps: espero que a coisa das férias de Natal dos professores não passe de mais um boato da oposição. Ou vou ter de me juntar a eles na próxima manif. Só quem não deu aulas no Básico ou no Secundário é que não percebe a necessidade desse descanso. Aliás, cada vez mais reduzido, dada a invenção todos os anos acrescida de reuniões para discutir o sexo dos anjos, o formulário A para a estatística X ou resolver o estranho caso da MALANDRICE QUE PRENUNCIA O CHUMBO...

26 de outubro de 2006

O OUTRO LADO DA BARRICADA

De vez em quando é pedagógico ser júri do ICAM. Aceitar o desafio com a honesta esperança de "finalmente poder fazer justiça".
Num certo sentido, isso acontece. Se formos honestos e nos distanciarmos dos nossos gostos pessoais em favor de critérios objectivos e diria, algo pomposamente, do interesse nacional.
Mas também dá para perceber duas coisas. A primeira é que há mais boa vontade do que talento. Um cada vez maior número de pessoas quer trabalhar em cinema. O que não quer dizer que saiba escrever um argumento, realizar ou produzir um filme. Ou, na maior parte dos casos, que tenha tido sequer uma formação séria e competente nessa área. Mas sobre o ensino artístico haveria mais a dizer, nomeadamente sobre QUEM anda a ensinar o QUÊ e COMO....
A segunda, é que a coisa é bastante matemática. Cada membro do júri aprecia um projecto, segundo critérios claros e atribui uma votação de acordo com esses critérios. O resultado final, em geral, surpreende toda a gente. Mas esse é o problema da democracia: o mínimo denominador comum.
Se juntarmos a isto, a chusma de pessoas que se vão sentir injustiçadas, ou simplesmente feridas nos inchados egos, ficamos próximos do trabalho missionário-suicida.
Ao contrário do que parece. Contra mim falo.

25 de outubro de 2006

RIO DE QUÊ?

Subitamente descubro o porquê de alguma autocensura que me tolheu em certos escritos. Fui contagiado pela falta de humor nacional. Não podemos rir de nós mesmos. Tudo o que eu disser será tomado como um ataque a isto ou aquilo.
Penso no "Rio da Glória", que brinca com a literatura light, com as diversas igrejas, com a crítica literária, com a visão que muitos brasileiros têm do país colonizador distante, e com vário outros assuntos intocáveis e sorrio.
Eta chuva de pedras que aí vem! :)
Pergunto-me que Grande Autor vou ler hoje, para discutir mais tarde com os meus amigos, enquanto a Primavera não chega... AUFF!!!
CRIAR

Não é preciso ser génio, basta ter um dia em branco.

22 de outubro de 2006

PAX IN DOMINICUS

É domingo e chove.
Na caixa de correio chega-me o que parece ser a versão legítima da "Nota Pastoral do Conselho Permanente Conferência Episcopal Portuguesa sobreo referendo ao aborto".
Aparentemente o novo chefe dos bispos católicos, no seu ar bonacheirão, democrata e familiar até, achou por bem esclarecer as coisas. Que não haja confusões: a coisa é para ficar como está. As mulheres devem continuar a malhar com os ossos na cadeia se tiverem a triste ideia de se enfiarem num vão de escada para serem raspadas e sangradas. O que é bem feito, para não serem todas umas putas, ingratas ainda por cima, que não só tiveram a ousadia de terem o que eles, bispos, não podem ter, sexo, como ainda não querem ficar com todos os filhos que dali saírem. O inferno depois de mortas não será suficiente. É preciso ameaçá-las com o inferno em vida.
Resumindo, o texto diz o seguinte:
"Nós, Bispos Católicos, sentimos perplexidade acerca desta situação. Antes de mais porque acreditamos, como o fez a Igreja desde os primeiros séculos,que a vida humana, com toda a sua dignidade, existe desde o primeiro momento da concepção." Daqui, a reter a frase "desde os primeiros séculos".
"..Para os fiéis católicos o aborto provocado é um pecado grave porque éuma violação do 5º Mandamento da Lei de Deus, ?não matarás?, e é-o mesmoquando legalmente permitido"
"Não podemos, pois, deixar de dizer aos fiéis católicos que devem votar "não" e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade da vidahumana, desde o seu primeiro momento." Daqui basta fixar "não" e "esclarecer".
"Pensamos particularmente nos jovens, muitos dos quais votam pela primeira vez e para quem a vida é uma paixão e tem de ser uma descoberta." Sobre o empenho dos padres em participar da descoberta da paixão dos jovens, já ouvimos falar o suficiente.
"O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não." É bonita e romântica esta ideia de acolher no seu ventre. Calculo que no recato das sua cela, quem escreve estas coisas imagine que o homem estenda a mão graciosamente e entregue uma gota de precioso líquido que a mulher deposita sobre o ventre e que no mesmo instante se transforma numa linda criança rosada.
Nem por um momento referem o que fazer com os julgamentos das mulheres ou com o facto de defender o sim neste referendo não ser uma aprovação do acto mas apenas o libertar das consciências de quem se vê em tribunal por ter feito algo que a destruiu um pouco.
Do meu ponto de vista toda a celeuma levantada por estas instituições deriva de duas questões: sexo e mulheres. O sexo se não é para eles não deve ser para ninguém. E as mulheres, já que existem, devem ficar-se no papel de mães. De parideiras acolhedoras.
Tudo isto estaria muito bem se não houvesse um movimento decidido e que irá votar em massa no dia do referendo,pelo Não. Enquanto os bananas do Sim, hão-de estar enfiados em centros comerciais ou em casa a discutir Proust, para depois se lamentarem de que "não percebem como aconteceu".
É domingo e chove no meu país provinciano.

19 de outubro de 2006

BED TIME READING

Há já alguns anos que me dedico a ler a proposta de orçamento de estado, pela internet. AQUI Serve isto para ter uma noção do rumo que o país vai tomar e para distinguir o trigo do joio. Assim, quando aparecem tipos muito sérios na comunicação social a dizer que agora é só maravilhas, ou o contrário, consigo focar-me nas razões que movem a criatura em vez de no seu truque de prestidigitação.
Este ano, contudo, o meu interesse estava na Cultura. Tive que aguentar até à página 239 de um relatório de 261. Já se vê a importância que este governo lhe atribui. O orçamento que representa 0,4% (zero vírgula quatro por cento) do orçamento geral, diminuiu 7%. Em média, os ministérios viram as suas verbas reduzidas em 5%.
Claro que isto se deve, do meu ponto de vista a 3 factores. Primeiro, não é um sector prioritário num orçamento restrictivo, ou obrigatório (como o da Defesa, por exemplo, que consome dezenas de milhar de milhões de euros), do ponto de vista de um engenheiro. Segundo, o desempenho deste ministério no ano transacto pede, claramente, um cartão vermelho. Terceiro, basta ler as propostas da ministra e do seu secretário de estado para perceber a ausência de visão e ideias.
Logo, do ponto de vista socrático, para quem é, bacalhau basta.

18 de outubro de 2006

PEDIDO DE DESCULPAS

Ao visitante de camarate que que chegou aqui, através da frase no google: "anucios de mulheres em loures fodas". Desculpas por o "prazer_inculto" de que aqui se fala não ser bem esse. E desculpa em nome do sistema de ensino português por ter falhado com ele.

A MULTA

Hoje, quando cheguei ao local onde ontem, debaixo de chuva, depois de HORAS a procurar lugar parei o carro, tinha uma multa. Eram 10h da manhã e o guarda Abílio tinha passado às 9.13h. E lá escreveu, com a sua letrinha pré-9ºano "60 euros". A coisa chateou-me, sobretudo por estar a contar com este acordo tácito que existe nas zonas superpovoadas de Lisboa de não se multar nas primeiras horas da manhã, a não ser que o carro esteja a prejudicar alguém. O que não era, de todo, o caso. Enfim, a verdade é que a floresta de carros onde o meu desgraçado de quatro rodas se encaixava se tinha sumido antes do guarda aparecer. Azar o meu.
Mas fiquei lixado.
Da mesma forma que ficam lixados, os portugueses a quem se estão a tirar regalias. Não interessa se a situação é incomportável para o país, o facto é que lhes estão a mexer no bolso ou na segurança com que contavam. Isto é muito compreensível. O que não impede que o guarda Abílio, talvez em excesso de zelo, estivesse a fazer o que tinha de fazer.



16 de outubro de 2006

DAVID E GORDÕES

Deveríamos ter tomado como um sinal, o facto do primeiro gesto simbólico do actual governo ter sido o de retirar poder ao polvo farmacêutico. Desde aí, já se meteu com os autarcas, com o Alberto João, com todos os sindicatos, com os biliões de funcionários públicos, para citar apenas alguns dos elementos que gostariam que ficássemos quietinhos enquanto o barco ia ao fundo.
"Kamikaze", seria um bom nome para esta missão.

ps: enquanto escrevo isto, na RTP1, os autarcas batem no peito e invocam o testemunho da virgem sobre a sua honestidade. É divertidíssimo. Vê-los torcerem-se à medida que os fontanários, em vésperas de eleições, se afastam, quero dizer.

NOVO EXCERTO

A pedido, aqui fica um novo excerto do RIO DA GLÓRIA. Trata-se de um momento de uma história que Mário, uma das personagens principais, ouve contar. E é em virtude do relato das desventuras de Zeca Fumaça, que aqui se esboçam, que ele decide mudar o rumo do seu percurso.

"Viu-lhe primeiro o rabo temível, oscilando de um lado
para o outro, sinal de ferocidade. Depois o corpo malhado. E,
finalmente, a grande boca sangrenta dentro do peito aberto de
Jandira. A onça-pintada comia os órgãos que ainda há pouco
se ocultavam sobre os seios fartos da mulher. A onça alimentava-
se de tudo o que sustinha Zeca Fumaça, como se jantasse
na mesa de um padre em deboche. A dor bateu em Zeca como
uma montanha de pedras que lhe desabasse sobre o corpo e a
cabeça. Da sua boca saiu o grito "Jandira!", e precipitou-se,
a faca em punho, na direcção do animal. Era preciso soltar a
mulher, quem sabe ressuscitá-la. A onça não estava disposta
a ceder o seu bocado. Recebeu Zeca com as garras abertas e
as patas na frente do corpo. Mas ele nem sentiu as feridas,
ocupado com a visão da mulher pedindo socorro, morta.
Cravou a faca no bicho, uma, duas, mil vezes, até que um véu
opaco desceu sobre os olhos do animal e um de tule negro
sobre os seus. Quando acordou, tinha uma onça no peito e
tudo o mais desaparecera da sua vida...."
O PORTUGA (que somos nós)

Sabemos tudo, na nossa imensa ignorância. Quando estamos em casa, claro, que quando se vive fora ou se sai regularmente percebe-se melhor quem somos.


O Portuga intelectual:

Vai ao programa da manhã da tv pública, já ouviu falar de Pessoa e concorda até que foi um grande locutor, embora goste mais do Jorge Gabriel. O seu sonho é ser suficientemente rico para poder dizer barbaridades de manhã à noite e ter gente a abanar a cabeça que sim.

O Portuga Desconfiado



A espécie mais comum. "Sim, sim, estás para aí a falar, quero ver quando é me enrabas. Deves de estar a ganhar pouco, deves... pra tares aí com essa conversa toda..."
Engole tudo o que lhe dizem, desde que não o contrariem nos protestos. Já leu "O Código Da Vinci" e assistiu a um concerto da Marisa Monte.

15 de outubro de 2006

O QUE É UM BLOGUE?

...perguntava ontem um amigo meu, pouco dado às novas tecnologias (é mais surf, desenho e tudo o que meta o contacto entre as mãos e a criação).
Eu lá dei uma resposta sofrível e vagamente clara.
Mas quando dou uma vista de olhos ao sitemeter e vejo não só a origem mas o que procuram no prazer_inculto, os milhares de pessoas que todas as semanas fazem o favor de aqui entrar (outras encalham, por acaso, e apressam-se a sair, claro), vindas de todo o mundo, percebo que um blogue é mais do que o sítio onde um tipo diz o que lhe apetece sobre o que lhe apetece. É sobretudo um lugar de partilha. Uns buscam informação, outros opinião, alguns têm apenas curiosidade em saber se existe uma coincidência entre quem escreve livros e quem exerce a cidadania. Alguns, não fazem sequer ideia do que se está a dizer. Nem dominam a língua. Mas ainda assim, picam fotografias ou desenhos que foram tirados em Tróia, ou nos Açores, ou da janela de casa e levam-nos com eles, para os seus próprios blogues. Para ilustrar novas ideias noutras línguas.
E isso, só pode ter o nome de partilha.
AS BOAS NOTÍCIAS TAMBÉM TÊM UM LADO ENJOATIVO

Houve quem considerasse exagerada a declaração do ministro: "Acabou a crise".
Eu, incluído. Porque ainda nessa manhã tinha andado na rua, no metro e nos autocarros, e escutado as pessoas. Grupos de 3 e 4 pessoas acabadas de serem despedidas, reformados a contar (literalmente) os centavos para o pão, outras ao telemóvel a gritarem enervadas com quem não lhes pagava...
Mas hoje, ao chegar ao centro comercial Vasco da Gama, percebi que estava enganado. Havia milhares de pessoas lá dentro. De uma loja para a outra, como se o Natal tivesse chegado mais cedo. E, sim, tinham sacos de compras nas mãos.
No cinema onde entrei para assistir a uma comédia a fila vinha até à porta. Famílias inteiras gastavam 5.20 euros por pessoa, acrescidos de mais 3 ou não sei quanto, por baldes gigantes de pipocas e de coca-cola. Eram 18h de domingo. Quando saí do filme, duas horas depois, ainda não havia lugar para pousar o tabuleiro da fast food...
De maneira que, senhor ministro, apesar de cá em casa não ser assim, deve ter razão. A crise é capaz de ter acabado. Pelo menos até ao final da semana.

13 de outubro de 2006

TÍTULO

Pronto... Agora é definitivo. Vem aí o RIO DA GLÓRIA. 396 páginas que começam assim:

"São seis horas e ainda tudo dorme nos campos. Cobertos
de geada, mesmo se ainda é Outubro. O Volvo atravessa a estrada
de paralelos, veloz. Dos dois lados do caminho, as árvores
começam a secar; salgueiros e carrasqueiros misturados
numa cor mortiça. O motor é potente e acorda as lebres que se
mexem sobressaltadas nos seus abrigos de espinheiro. Lá dentro,
o homem olha para trás para ver se a menina está adormecida.
Não está: mira tudo com os olhos azuis muito abertos.
As nuvens coladas aos olhos. Os galhos das árvores a arranharem
na passagem. Treme no seu casaquinho de malha. A sua
pequena mão repousa sobre o colo da mulher nova e bonita.
Tão bonita. Tão nova. O penteado ao alto, os lábios apertados
no batom carmesim. Não responde aos olhares que a menina
lhe deita, olha em frente, deixando que a planície passe, fria,
por ela."




NOBEL DA PAZ
O Prémio Nobel da Paz foi atribuído a Muhammad Yunus, do Bangladesh, e ao seu banco Grameen, "pelo esforços na criação de desenvolvimento económico e social através de projectos de microcrédito".
Parece-me, um dos prémios mais justos dos últimos anos.
Esta ideia de confiar nos pobres é cada vez mais peregrina no mundo. Nos vários sentidos da palavra. Agora confia-se em quem não precisa. Vai-se ao banco pedir um empréstimo e eles querem saber se temos muito dinheiro, para confiarem. Ora se tivéssemos muito dinheiro não precisaríamos de lá ir. Pensamos nós. Errado. O dinheiro dos bancos não tem uma função social. Serve apenas de instrumento de troca e enriquecimento. Para permitir aos seus accionistas e administradores ir de férias para a Caledónia, em jacto privado (alguns com o cilício na bagagem, por causa do detector de metais), enquanto o resto, que somos nós, nem para ir a Tróia conseguimos poupar.
Yunus não pensou assim. Acreditou na honestidade dos que só podem ter a honestidade como bem. Do que eu conheço do mundo dos que têm muito pouco, sei que a maioria é estupidamente honesta. E que só quer uma oportunidade de poupar aos filhos o sofrimento que lhe foi infligido.
Se isto não merece um prémio nobel, não sei o que o mereça.

12 de outubro de 2006

Orhan Pamuk

Mais um nome para ir à procura. Talvez, até, ler.... Será que isto nunca mais acaba? Raios partam os escritores!

11 de outubro de 2006

O PERPETUAR DO CACIQUISMO

Marques Mendes...
O homem irrita-me. E não é por ser pequenino que eu também não sou grande. Até simpatizava com o nick ("shorty") que a miudagem de Carcavelos ou lá onde é que era lhe dava quando estendia o corpito na prancha de bodyboard. Mas desde que conseguiu, em tempo de vacas
magras, chegar ao poder partidário, anda insuportável.
Esta de aproveitar a mais do que ansiada tentativa de um primeiro-ministro de dar alguma ordem ao despesismo local e regional foi patética e demagógica. E demonstrativa que ele não chegou à direcção do seu partido com paninhos quentes, mas por um aproveitamento de "coninhas", que ele há-de ser, apontando o dedo ao menino mil vezes mais corajoso do que ele: "Sra professora, o Sócrates estava a segurar os braços dos grandalhões. E eles coitadinhos só queriam continuar a comer o almoço dos outros meninos!"
Oh, shorty, vai lá brincar para o recreio, pá.



Antonio-Mancini-The-Poor-Schoolboy-

ARAGUAIA

Ao tentar confirmar na net a existência de um pássaro ("anã" de acordo com os locals) e que não aparece em lado nenhum, voltei a deparar-me com uma fauna maravilhosa e uma região tranquila a maior parte do ano (excepto em Julho, altura dos acampamentos nas margens do rio).

10 de outubro de 2006

NOVO LIVRO DE LUIS RUFFATO

Acaba de ser lançado no Brasil, pela Record, o novo livro do escritor, que tem publicado entre nós "Eles eram muitos cavalos".
Este terceiro volume da trilogia INFERNO PROVISÓRIO recebeu o título "Vista Parcial da Noite".

9 de outubro de 2006

CINEMA PORTUGUÊS 2

Hoje fui subitamente lembrado, espantosamente recordado, de que a Leonor Silveira é a actriz mais bonita do cinema português. Daquela beleza serena que tem o som do mar entre os penhascos.
CINEMA PORTUGUÊS 1
"Transe" o filme de Teresa Villaverde é de novo um trabalho interessante da realizadora. Depois do auspicioso "OS Mutantes", voltamos a ver a sua actriz-fétiche (com um bocado de exagero na afirmação) a abrir, como uma sequela, este novo filme. E vai, de facto, bem, num papel difícil.
As únicas fragilidades do filme derivam de erros de argumento. Sobretudo de estrutura (que calculo é capaz de ter existido, em tempos...). Embora este guião esteja já melhorzinho do que n'OS MUTANTES e, ao que dizem, a quilómetros do penoso ÁGUA E SAL. Mas Teresa Villaverde, tal como a esmagadora maioria dos realizadores portugueses, não só não percebe um boi de como se escreve um argumento, como nem sequer tem consciência disso. O resultado é um meio de filme um bocadinho penoso e uma sequência com um maluco libidinoso, que não estando mal, foi ali metida à cacetada.
Mas ainda assim, um filme a ver.

5 de outubro de 2006

CHINA

Quando entramos numa loja de artigos baratos, que nascem como cogumelos nas nossas ruas, esquecemo-nos sempre que estamos a financiar uma das piores ditaduras do mundo. Um lugar onde a condenação à morte é quase certa, para os crimes que a prevêm (tráfico de droga, etc...). Mas com a aproximação dos olhares do mundo nos jogos olímpicos e a imagem de país de grandes negócios, as autoridades chinesas resolveram mostrar-se compadecidas. Assim, vão acabar com os tiros na cabeça à beira de valas da praxe. Agora, modernizaram-se com autocarros equipados com camas de injecção letal. Uma prova do bom coração chinês.
Mais informação aqui e aqui.
MAR DE PORTUGUÊS

Logo de manhã, fico a saber pelo boletim da junta de freguesia que estão a ser feitas coisas pensadas "à " muito tempo... (Penha rules!)
Depois, desperdiçando tempo pela net, descubro num site de artistas de telenovela, o contentamento que muitos têm ao "pisar o palco" e ao "dar nas vistas". No primeiro caso, acho que o palco ainda se queixa das pisadelas. No segundo, têm toda a razão: ver a representação da maioria dele é como levar com um porrete nos olhos. Dá mesmo nas vistas.
Perplexo com este vocabulário, leio uma jovem, produzida e ambiciosa taróloga que, no Sapo, me garante que vou resolver assuntos que "me andam a tirar o sonho..."
Ok.

3 de outubro de 2006

NÃO É COISA QUE ME PREOCUPE, PENSAR NO ASSUNTO...
mas há um ano atrás, eu fiz exactamente esse voo da GOL, Manaus-Brasília, sobre a Amazónia. Lembro-me de ter pensado que se houvesse um acidente, seria quase impossível encontrar as pessoas no meio da vegetação espessa.
DO OUTRO LADO DO MAR

As eleições no Brasil conseguiram ser previsíveis e surpreendentes, a um tempo. Previsível, a maioria de votos em Lula. Apesar de ser necessária uma segunda volta para o eleger, é a vitória da falta de escolha. Os democratas brasileiros, melhor dizendo, a maioria dos brasileiros, tiveram de engolir o sentimento de desencanto e traição a todo um conjunto de promessas e votar de novo no ex-salvador da esperança.
Surpreendente foi o triunfo da sem-vergonhice, com a votação em massa do corrupto antigo governador de São Paulo, Maluf. Uma operação mãos-limpas seria ineficaz nele. Seria necessária uma operação mãos-desinfectadas com nitroglicerina, para limpar toda a sujeira produzida contra o povo brasileiro. Esta desgraça foi ainda sublinhada pela eleição por Alagoas, de Collor, o homem deposto por um país indignado (um abraço para o meu amigo Alaor que ajudou a redigir o texto do impeachement).
Como cereja em cima do gâteaux, a reeleição de vários deputados envolvidos nos escândalos que abalaram o país nos últimos anos (mensalões, ambulâncias...) .
Só me resta enviar daqui, um abraço e votos de muita coragem para todos os meus amigos intelectuais, homens e mulheres inteligentes que vão ter que viver com isto. Se serve de alguma coisa, a gente está com vocês de coração.